sábado, 12 de novembro de 2011

Medo…


Vontade de dar um grito,

ou calar-se para sempre 


De ficar parado, ou correr 


De não ter existido 


ou deixar de existir (morrer) 


Não há razão quando a mente não funciona 


(redundante, não?) 


Vão extinguindo-se as questões 


mesmo sem respostas 


Perde-se, neste estágio, 


a vontade de saber. 


O futuro é como o presente: 


É coisa nenhuma, é lugar nenhum. 


Morreu a curiosidade 


Morreu o sabor 


Morreu o paladar 


parece que a vida está vencida 


Tenho medo de não ter mais medo. 


Queria encontrar minhas convicções… 


Deus está em um lugar firme, inabalável, 


não pode ser tocado pela nossa falta de confiança 


Até porque, na verdade, confio nele 


O problema é que já não confio em mim mesmo 


Não existe equilíbrio para mentes sem governo 


A química disfarça, retarda a degradação 


mas não cura a mente completamente 


e não existem, em Deus, obrigações: 


já nos deu a vida, o que não é pouco, 


a chuva, o ar, os dias e noites 


Curar está nele, mas, apenas retardaria a morte 


já que seremos vencidos pelo tempo 


(este é o destino dos homens) 


e seremos ceifados num dia que não sabemos 


num instante que mira nossa vida 


e corre rápido ao nosso encontro lentamente 


(ou rasteja lento ao nosso encontro rapidamente?) 


Sei lá… 


Mas não sei se quero estar aqui 


para assistir o meu fim 


Queria estar enclausurado, escondido… 


As amizades que restam vão se extinguindo 


e os que insistem na proximidade 


são os mesmos que insistirão na distância, 


o máximo de distância possível. 


A vida continua o seu ciclo é necessário bom senso 


não caia uma árvore velha, podre, sobre as que ainda estão nascendo. 


Os que querem morrer deixem em paz os que vão vivendo 


Os que querem viver deixem em paz os que vão morrendo 


Eu disse bom senso? 


Ora, em estado de pânico não se encontra bom senso 


nem princípios, nem razão, nem discernimento, 


nem força alguma 


Torna-se um alvo fácil 


condenável pelos que estão em são juízo 


E questionam: onde está sua fé? 


e respondo: ela estava aqui agora mesmo… 


ela não se extingui, mas parece que as vezes se esconde de mim… 


o problema é que, quando a mente está sem governo 


(falo de um homem enfermo) 


é como um caminhão que perde o freio 


descendo a serra do mar… 


perde-se o contato com a fé e com tudo o que há… 


e por alguns instantes (angustiantes) 


não encontramos apoio, nem arrimo, nem chão, nem parede, nem mão… 


ah… quem dera, quem dera… 


que a mão de Deus me sustente neste instante… 


em que viver é tão ou mais difícil que conjugar todos os verbos… 


porque sou, neste momento 


a pessoa menos confiável para cuidar de mim mesmo… 


tenho medo, medo… 


medo de perder o medo 


de sair da vida pela porta de saída… 


medo de perder o medo 


de apertar o botão “Desliga”…


Por: Claudio

http://progcomdoisneuronios.blogspot.com.br

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